No Mundo da Estratégia

Blog dedicado ao estudo das escolas do pensamento estratégico. Dê a sua opinião. Participe!

12.7.09

AULA 3

 3ª Aula – 11/07/09

 Considerações Gerais:

No terceiro encontro do curso, a aula transcorreu em meio a muita discussão sobre as escolas do pensamento estratégico e os assuntos periféricos em torno do estudo da estratégia propriamente dita.  
O professor recordou os pontos centrais de duas das principais escolas do pensamento estratégico, citando que a maior contribuição da escola do design foi o modelo SWOT e uma inovação na escola do planejamento foi à prospecção de cenário.
Em seguida, concluiu o estudo da escola do posicionamento e começou a falar da escola empreendedora.
Antes de documentar o desenrolar desta aula, quero falar do professor Cova, que a todo o momento na aula instiga seus alunos a terem um espírito mais empreendedor. Ele conduz a aula de forma a desenvolver um olhar crítico em relação à importância do planejamento para o sucesso das empresas modernas. A aula não se restringe a isso!
Suas ideias e pensamentos em meio à complexidade do tema levam cada aluno a querer mais no sentido da pesquisa, da busca pela informação que transcendem o conhecimento de estratégia em si, mas que é fundamental para o preparo do administrador atual. 
A aula é recheada de estudos históricos, aspectos culturais, científicos, discussão sobre política, ambiente econômico, dicas de literatura sobre estratégia e literatura geral, apresentação de instituições de investimento, finanças, e uma variedade de outros assuntos que perpassam o tema central entrando por questões da área de humanas, onde são citados autores, com dicas e orientações de estudos. 
Após nosso encontro de 4 horas, fica o recado: estude, trabalhe, pesquise, aprofunde, queira mais, e desenvolva uma postura de aprendiz e de empreendedor.
Bom! Ainda na escola do posicionamento foi citada a influência e a importância do Porter, que em função dos seus pensamentos e suas considerações, representa a maior referência para o entendimento dessa escola, e acrescentou que as grandes empresas necessitam de um bom planejamento para manterem-se grandes e que as demais também precisam investir em bons planos estratégicos para se manterem vivas e dinâmicas, em meio a um quadro econômico instável, e mesmo quando o ambiente está favorável não dá para não se ter os devidos cuidados com as oscilações de mercado.
Também foi observado, que o estrategista precisa saber na ponta da língua as cinco forças de Porter, que são: rivalidade entre os concorrentes; poder negocial dos clientes; o poder negocial dos fornecedores; ameaça de entrada de novos concorrentes e ameaça de produtos substitutos. E o conceito de cadeia de valor, que em linhas gerais representa o conjunto de atividades de uma organização que vai desde as relações com os fornecedores e ciclos de produção e de vendas até a fase da distribuição final.
Fazendo uma analogia entre a evolução da vida humana e planejamento, podemos dizer que no passado a vida era mais simples e com isso podia-se planejar o dia-a-dia, preparando e executando tudo até a sua aposentadoria. A vida era mais saudável, tudo era mais fácil, o núcleo familiar era mais organizado, a educação, a saúde, os amigos, o clube, o ambiente estava dentro do controle das pessoas, o casamento, os filhos, enfim, o ritmo de vida era por si só mais monótono e tranqüilo. Porém, as atuais transformações sociais e humanas tornaram a vida mais complexa: as pessoas estão mais estressadas, angustiadas, certa sensação de incompetência, impotência, e o importante é saber que devemos considerar esses aspectos na formulação e na implementação de uma estratégia.
E para concluir foi citado que a era tecnológica também contribuiu para mudanças no cenário mundial, nas áreas do relacionamento, da aprendizagem, das regras e valores, pois o que se considerava como certo agora requer contextualização com os tempos atuais.
ESCOLA EMPREENDEDORA
Começamos a estudar a escola empreendedora e foi citado Joseph Schumpeter, considerado a principal influência para esta escola, e também o mais importante economista do século XX.
Schumpeter, em sua teoria sobre ciclo econômico disse que as inovações são resultado de um “ato empreendedor”, realizado pelo “empresário empreendedor”, visando o lucro. O lucro é o motor de toda atividade empreendedora, como remuneração do capital investido.
Nesta escola acreditava-se que o empreendedor era o responsável por todo movimento evolutivo. Ele era ousado e corajoso, e o desenvolvimento de um país dependia diretamente da capacidade empreendedora existente nas pessoas e organizações.
Como exemplo do empreendedorismo aplicado ao mundo dos negócios, podemos citar o Cluster, que é um aglomerado de empresas relacionadas entre si, numa zona geográfica relativamente definida, que formam um pólo produtivo especializado com vantagens competitivas.
No Brasil há vários projetos, financiados pelo SEBRAE, baseados no conceito de clusters, gerando ações aplicadas ao desenvolvimento do país, como por exemplo: as cooperativas de artesãos, pecuaristas, pequenas fabricantes de queijo, doces caseiros, roupas, calçados, etc.
Ao passo que eles se organizam, esses grupos de empresários se desenvolvem, e juntos melhoram o seu poder de competitividade.
O conceito de Cluster foi popularizado por Michel Porter no ano de 1990.
O professor também citou sites importantes para pesquisa: FAPERJ, FINEP, BNDES, Banco do Nordeste, APL, Fundo Setorial, Finame, FMM.
E concluiu a aula falando dos 5 C´s do crédito: Caráter, Capacidade, Capital, Colateral e Condições.

ESCOLA DO POSICIONAMENTO

Nos anos 80 surgia a escola do posicionamento. Esta nova escola absorve quase todas as premissas das escolas anteriores, porém ela enfatiza a importância de suas características não apenas no processo de formulação, mas sim no processo como um todo.
PREMISSAS
Mintzberg resume as premissas dessa escola da seguinte forma:
1 – Estratégias são posições genéricas, especificamente comuns e identificáveis no mercado.
2 – O mercado (o contexto) é econômico e competitivo.
3 – O processo de formação de estratégia é, portanto, de seleção dessas posições genéricas com base em cálculos analíticos.
4 – Os analistas desempenham um papel importante neste processo, passando os resultados dos seus cálculos aos gerentes que oficialmente controlam as opções.
5 – Assim, as estratégias saem deste processo totalmente desenvolvidas para serem articuladas e implementadas; de fato, a estrutura do mercado dirige as estratégias posicionais deliberadas, as quais dirigem a estrutura organizacional.
A Escola do posicionamento pode ser dividida em o que diversos autores caracterizam como as “três ondas da escola do posicionamento”
PRIMEIRA ONDA: ORIGENS NAS MÁXIMAS MILITARES
A primeira onda pode se disser que é a mais antiga, pois ela se baseia nas estratégias concebidas para competição. Os autores atuais basearam-se em máximas militares concebidas por antigos mestres estrategistas militar como Sun Tzu e Von Clausewitz, que ao transpor essas máximas ao mundo dos negócios Robert Katz apresentou a seguinte divisão:

 tabela 1

Contudo, Mintzberg adverte sobre os cuidados que se deve ter com as máximas militares, pois segundo ele as máximas militares são um tipo de linguagem que ao mesmo tempo é óbvia e obscura.

SEGUNDA ONDA: A BUSCA POR IMPERATIVOS E CONSULTORIA
Nesta segunda onda se baseia na transformação das máximas em imperativos a serem aplicados no mundo dos negócios. Esses imperativos eram usados basicamente por empresas de consultorias que os formulavam e aplicavam esses imperativos conforme a classificação das empresas. Esta classificação se dava a partir da análise da Matriz Crescimento-participação estável, que nada mais é do que a diversificação de portfólio de produtos/negócios da empresa:

tabela 2

A empresa ideal possui um portfólio de produtos equilibrado e usa as estratégias concebidas para passar pela seqüência de sucesso da matriz.

TERCEIRA ONDA: DESENVOLVIMENTO DE PROPOSIÇÕES EMPÍRICAS
Esta onde ganhou importância em 1980 se baseava na busca empírica e sistemática por relações entre condições externas e estratégias internas, acabando assim com pregações e imperativos. Como base para essa onda Porter propôs a analise de cinco forças no ambiente para determinar estratégias ideais a serem seguidas:
1- Ameaça de novos Entrantes;
2- Poder de Barganha dos Fornecedores da Empresa;
3- Poder de barganha dos clientes;
4- Ameaça de produtos substituídos;
5- Intensidade da rivalidade entre empresas concorrentes.
Para Porter a partir da análise de suas forças a empresa pode adotar estratégias que a mantenham no mercado.
CRÍTICAS
Para Mintzberg as críticas a escola do posicionamento se resumem a:
O processo de criação de estratégias excessivamente deliberado prejudica o aprendizado estratégico.
Técnicas analíticas não ajudam a desenvolver estratégias, podendo quando muito corrigi-las.
Foco orientado para o econômico ao invés do político e social.
Perda do equilíbrio pela grande inclinação para o ambiente externo (indústria, concorrência) em detrimento das capacidades internas.
O processo altamente analítico e calculista tolhe a criatividade de estratégias inovadoras e o compartilhamento e engajamento dos atores envolvidos.
A ênfase em análise e cálculo reduziu seu papel da formulação da estratégia para a condução de análises estratégicas em apoio ao processo
Escola empreendedora
 
A escola empreendedora aborda a existência de um líder com capacidade visionária, esta capacidade passa pela possibilidade dele “ver” em múltiplas direções. Precisa ver adiante, ver atrás, ver abaixo, ver em baixo, ver ao lado, ver além e ver através. Este conjunto de visões possibilita uma direção para a organização.
Toda a questão está centrada na existência de um líder com capacidade de uma liderança visionária, passando pela condição de formular e buscar uma visão, ter uma referência, clara e desenhada, no mínimo na sua mente, de para onde a organização deve ir. Esta visão não é estática. Deve haver uma direção clara, com propósito continuado, bem como uma possibilidade de constantes mudanças de rota, porém sem a perda do objetivo final estabelecido e desenhado.
Algumas premissas da escola empreendedora:
A estratégia existe na mente do líder como perspectiva, como uma visão de futuro;
O processo de formação da estratégia é intuitivo e semiconsciente, decorrente das experiências e vivências do líder;
O líder promove uma visão forte e decidida, mantendo controle pessoal da implementação, sendo capaz de reformular aspectos específicos caso seja necessário;
Decorrente destes aspectos, a visão estratégica é maleável, baseada na visão geral e sendo construída por aspectos específicos não rígidos;
A organização também precisa ser maleável, para acompanhar as possíveis mudanças de rumo. Deve ter uma estrutura simples que responda de forma rápida às determinações da liderança visionária;
A estratégia empreendedora tende a assumir a forma de nicho no mercado, pelas suas próprias características de formulação a partir da visão de uma liderança.
Finalizando os comentários sobre s escola empreendedora, podemos observá-la com um diferencial em relação às demais já estudadas e com uma forte dependência da capacidade visionária de um líder.
Assim penso que esta capacidade visionária é realmente o diferencial no processo de formulação contínua de estratégia.  
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28.6.09

AULA 1

1ª Aula – 27/06/09

CONSIDERAÇÕES GERAIS:

No dia 27/06/2009, a turma conheceu o professor Cova e iniciamos a disciplina de Gestão Estratégica de Negócios e do Conhecimento, do curso MBA de Gestão Estratégica, na UFF - RJ. O grupo foi orientado a elaborar um blog como ferramenta de trabalho, com o objetivo de registrar os encontros semanais, contendo resumo do conteúdo explorado durante as aulas, bem como todo resultado das pesquisas realizadas como necessidade de aprofundamento dos tópicos mais relevantes.

Nesta primeira etapa o professor usou como metodologia: aulas expositivas com utilização de projetor.
Referência bibliográfica: Livro Safári de estratégia e apostila do professor.
O livro Safári de Estratégia foi indicado como referência para que possamos conhecer mais sobre as principais escolas do pensamento estratégico. Com a leitura do livro pode-se conhecer mais sobre a história e sobre a origem do conhecimento de estratégia (epistemologia), bem como aprofundar no conhecimento em estratégia em si e suas aplicações no mundo dos negócios (ontologia).
 

INTRODUÇÃO AO MUNDO DA ESTRATÉGIA
 
Em geral, encontramos diversas definições para a palavra estratégia, que está sendo comumente utilizada pelos gerentes de organização como sendo um dos pontos mais importantes de uma administração. Porém para se definir a palavra estratégia é necessário segundo Mintzberg cinco definições básica, o que ele chamou dos 5 P’s para estratégia:
1 – Estratégia é um PLANO (Plan): A estratégia pode ser considerada planejamento, ou seja, um plano, tipo de curso de ação conscientemente engendrado, uma diretriz para lidar com determinada situação. Suas principais características são: preparadas previamente às ações para as quais se aplicam e  definidas consciente e deliberadamente. Podem ser genéricas ou específicas.
2- Estratégia é um PADRÃO (Pattern): A estratégia como padrão, ou modelo, é o que permite manter a coerência ao longo do tempo, é consistência no comportamento, quer seja pretendida ou não. Não basta apenas planejar a estratégia, é preciso criar padrões de ação, um comportamento resultante desse planejamento. Assim, Mintzberg afirma que as organizações planejam o futuro e procuram modelos no passado, o que se pode completar sugerindo: para agir no futuro.
3- Estratégia é uma POSIÇÃO (Position): Essa definição vai ao encontro dos conceitos de Porter. É o lugar escolhido para inserir a organização no “ambiente”, eleger um nicho, um posicionamento.
4- Estratégia é uma PERSPECTIVA (Perspective): Olha para dentro da organização, dentro da cabeça dos estrategistas. Assim, seu conteúdo não consiste apenas numa posição escolhida, mas na sua maneira de ver o mundo, é um conceito e é compartilhado.
5- Estratégia é uma ARTIMANHA (Ploy): a estratégia pode ser um pretexto, isto é, uma manobra específica para enganar o concorrente ou competidor.
Quando se trata de planejamento estratégico Mintzberg diz que “para compreender o todo também precisamos compreender as partes”, e com isso ele compara a formulação de estratégia a um elefante e nós à cegos que tentam definir esse grandioso animal apenas tocando algumas partes de seu corpo. Baseando-se nisso Mintzberg estuda a formulação de estratégia em dez partes que ele chama de escolas de pensamento.
Quando se trata de planejamento estratégico Mintzberg diz que “para compreender o todo também precisamos compreender as partes”, e com isso ele compara a formulação de estratégia à um elefante e nós à cegos que tentam definir esse grandioso animal apenas tocando algumas partes de seu corpo. Baseando-se nisso Mintzberg estuda a formulação de estratégia em dez partes que ele chama de Escolas de pensamento.

 Tabela 1
 
ESCOLA DO DESIGN
Surgiu nos anos 60 e serviu como base para construção das outras nove escolas do pensamento estratégico, por isso é considerada a mais influente no processo de formulação de estratégia. Seu modelo mais simples busca atingir uma adequação entre as capacidades internas e as possibilidades externas (Mintzberg. Safári da Estratégia) se utilizando da ferramenta Análise de SWOT.
PREMISSAS DA ESCOLA DO DESIGN
1 – A formulação da estratégia é um processo deliberado. Em outras palavras a criação da estratégia vem do conhecimento adquirido no decorrer do tempo, “é uma aptidão não natural ou intuitiva”, como definido por Mintzberg.
2 – O controle e essa percepção são responsabilidade do executivo principal, caracterizado como o estrategista. Esta premissa concentra as importantes decisões na alta administração, excluindo os atores externos do processo, reforçando assim o centralismo e personalismo presente nessa escola.
3 – Formação da estratégia é simples e informal, este conceito é fundamental para se garantira premissa anterior, controle da estratégia por uma só mente.
4 – Estratégias únicas para situações específicas. Em conseqüência disso essa escola se concentra no processo de desenvolvimento das estratégias e não no conteúdo das mesmas.
5 – Finalização do processo se dá quando a estratégia se mostra formulada. Essa estratégia aparece como perspectiva, em algum ponto do tempo, completamente formulada, pronta para ser implementada.
6 – Estratégias devem ser explícitas de forma que os outros membros da organização possam compreendê-las e executá-las, dessa forma há a negação da complexidade que favorece a inflexibilidade.
7 – Primeiro formule seguindo as premissas anteriores e depois implemente. A formulação da estratégia e sua implementação acontecem em momentos distintos, distanciando o AGIR DO PENSAR.
 CRÍTICAS
Uma das primeiras críticas feitas é quanto ao processo de formulação, avaliação de pontos fortes e fracos, que nesta escola é feito através de considerações, avaliações e julgamentos. Mintzberg diz que nenhuma organização pode estar completamente certa sobre seus pontos fortes e fracos através de meras suposições, e estas definições devem partir de experiências vividas pelas organizações.
Em seguida Mintzberg crítica a inflexibilidade causada ao se gerar uma estratégia explícita. Estratégicas explícitas lhe fornecem uma segurança momentânea ao focalizarem uma direção, porém, podem causar empecilhos para uma suposta mudança estratégica repentina, trazendo uma insegurança no futuro.
Como última crítica, porém não menos importante, é a separação entre formulação e implementação.  Esta separação entre o pensar e o executar causa uma inflexibilidade muito requerida na atual realidade, podendo ser muito prejudicial às organizações, pois retira a percepção de outros fatores não contemplados da estratégia adotada.
criado por mbauff    14:16:48 — Arquivado em: Conteúdo — Tags:, , , ,

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